A solicitação de inclusão dos grãos na lista de exceção da Tarifa Externa Comum (TEC) ainda precisa ser analisada por duas equipes de trabalho do governo

A Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (Anec) reduziu nesta terça-feira (2) suas projeções de exportações de soja e milho do Brasil neste ano, apesar de volumes importantes da oleaginosa exportados para a China no primeiro trimestre.

A associação, que representa gigantes do agronegócio como ADM e Cargil, estimou as exportações de soja no ano em 67 milhões de toneladas, ante 73 milhões de toneladas em uma previsão divulgada no início de janeiro.

Em nota, a Anec não apresentou motivos para a redução na estimativa, em um ano em que a safra do Brasil, maior exportador global da oleaginosa, sofreu uma quebra em função da seca.

Mas a associação informou ainda que, para a abril, a programação de navios aponta embarques de 6,9 milhões de toneladas, ante mais de 10 milhões de toneladas no mesmo mês do ano passado.

Segundo a Anec, as exportações brasileiras de soja somaram 9,6 milhões de toneladas em março, redução de 12 por cento ante o mesmo mês do ano passado. Pelos dados do governo, contudo, os embarques aumentaram ligeiramente.

No acumulado do ano, as exportações de soja somam um volume de 18,3 milhões de toneladas embarcadas, 2,8 por cento acima do volume registrado no mesmo período em 2018, segundo a Anec.

Os embarques foram maiores no primeiro trimestre apesar de vendas mais lentas de produtores no início do ano. Mais recentemente, devido a um dólar mais forte, em torno de 4 reais, foram verificados mais negócios, segundo especialistas.

De acordo com a Anec, em março a China foi o destino de 6,7 milhões de toneladas, o que representa cerca de 70 por cento do volume total exportado no mês.

No acumulado do ano, as exportações de soja para a China somam 13,3 milhões de toneladas, cerca de 72 por cento do total. A Anec não forneceu dados comparativos com o ano anterior.

No ano passado, quando o Brasil foi beneficiado pela guerra comercial entre China e EUA, os brasileiros exportaram um recorde de cerca de 84 milhões de toneladas de soja.

MILHO

Em relação ao milho, a Anec estima agora exportações de 28 milhões de toneladas em 2019, ante 31 milhões previstos em janeiro.

“Entretanto, caso mantida e reforçada a implementação da lei de pisos mínimos (do frete), a exportação de milho no segundo semestre poderá sofrer grande impacto negativo, alterando essa projeção”, disse a Anec, lembrando que o controle do preço do frete afeta o setor.

Para abril, encontram-se programadas para embarque cerca de 370 mil toneladas de milho brasileiro, disse a Anec.

O total de milho exportado no último mês de março foi de 503 mil toneladas, cerca de 220 mil toneladas acima do volume embarcado em março de 2018.

No acumulado do ano, as exportações de milho somam 4,4 milhões de toneladas, o que representam um acréscimo de 34 por cento na comparação anual.

Operadores de portos do Brasil buscam menores tarifas no Canal do Panamá


Vista aérea de parte do Canal do Panamá 23/03/2015 REUTERS/Carlos Jasso

Os operadores portuários brasileiros, incluindo unidades das tradings globais de grãos Cargill e Bunge, irão revelar nesta semana uma proposta para reduzir as tarifas do Canal do Panamá e cortar seus custos de transporte de commodities agrícolas para a China, seu principal mercado.

Eles argumentarão que, sob as atuais tarifas, embarcar grãos dos portos do Norte do Brasil via Cabo da Boa Esperança é quase 206 mil dólares mais barato, em uma base por navio, do que utilizar o Canal, apesar da distância mais curta.

Em um estudo a ser apresentado em uma conferência na Cidade do Panamá na quinta-feira, a associação de operadores privados de portos ATP irá propor a utilização da capacidade ociosa do antigo Canal do Panamá, em vez das enormes e congestionadas novas eclusas, abertas em 2016 para navios da Panamax.

Isso potencialmente cortaria os custos de transporte e encurtaria os tempos de viagem em 4 a 5 dias entre o Brasil, maior fornecedor mundial de soja, e os mercados de China e outros países asiáticos, de acordo com a ATP, da qual Cargill, Bunge, a operadora de grãos brasileira Amaggi e a produtora de celulose e papel Suzano são membros.

Os operadores esperam que sua proposta abra caminho para negociações entre Brasil e Panamá para que seja encontrada uma forma de reduzir as tarifas.

“É um bom negócio para os dois lados, pois hoje o Panamá deixa de receber grande parte dos navios de grãos brasileiros com destino à China por conta da inexistência de um acordo tarifário”, disse Luciana Guerise, diretora-executiva da ATP, em comunicado enviado à Reuters.

A ATP disse que a proposta deve ser feita pelo Ministério da Agricultura do Brasil ao Ministério de Relações Exteriores do país, que seria responsável por negociar os termos com as autoridades panamenhas.

Nenhum dos ministérios possuía um comentário imediato.

A iniciativa marca um novo passo no desenvolvimento de novas rotas de comércio para o Brasil, maior exportador mundial de produtos agrícolas como soja, açúcar, café, tabaco, suco de laranja, carne bovina e frango.

Um passo inicial nessa direção foi dado em março do ano passado, quando a Aprosoja, associação de produtores de grãos de Mato Grosso, assinou um acordo de cooperação com a Autoridade do Canal do Panamá.

“Acreditamos que podemos capturar parte dos grãos que deixam Mato Grosso e chegam ao Norte do Brasil”, disse à época Jorge Quijano, presidente executivo do Canal. “O Canal do Panamá seria uma opção para o produto chegar à Ásia, especialmente à China.”

Fonte: Reuters

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