Deflagrado em fevereiro, o conflito entre Rússia e Ucrânia mudou o cenário internacional do trigo. Com a guerra envolvendo dois dos maiores produtores do cereal no planeta, o preço subiu, de US$ 7 para US$ 11 dólares por bushel, e fez com que o Brasil ganhasse vez no mercado. Nesse sentido, o país, então importador do produto, já superou em um semestre o volume de embarques realizados nos consolidados dos anos anteriores.

Essa movimentação foi o destaque desta terça-feira (19) do boletim ‘AgroExport’, quadro semanal apresentado pelo diretor de conteúdo do Canal Rural, Giovani Ferreira. Como efeito comparativo, ele apresentou gráficos que mostram o desempenho exportador do cereal brasileiro desde 2018. De lá até o ano passado, em nenhum momento, os embarques chegaram ao volume de 1,3 milhão de toneladas. Somente no primeiro semestre, 2022 já está no patamar de 2,51 milhões de toneladas de trigo enviadas para o exterior.

“Nós já exportamos quase o dobro de todo o trigo exportado no ano passado”, observou Ferreira. “E por que nós estamos exportando muito trigo neste ano?”, questionou, antes de apresentar a resposta ao público do Canal Rural: “Por causa da guerra no leste europeu. Rússia e Ucrânia — o leste europeu como um todo — são grandes produtores de trigo. E a oferta dessa região diminuiu. E o preço subiu, obviamente. Lei da oferta e da demanda”, explicou.

O conflito entre ucranianos e russos também foi responsável por, num primeiro momento, impulsionar o preço do trigo no mercado internacional, informou o responsável pelo ‘AgroExport’. De US$ 7 por bushel antes do início da guerra na Europa, o valor passou para mais de US$ 11 por bushel. Cifras que despertaram o interesse do produtor brasileiro, salientou Ferreira. Mas essa condição, no entanto, não está mais se sustentando, adiantou.

“O preço caiu”, enfatizou o diretor de conteúdo do Canal Rural. “Neste mês de julho, o trigo está recuando no mercado internacional, sendo negociado abaixo de US$ 9 por bushel. E isso já está diminuindo o interesse do Brasil na exportação do cereal”, pontuou. “O mercado interno pode se tornar mais atrativo neste segundo semestre”, complementou.

O volume exportado no decorrer do primeiro semestre deste ano chama a atenção porque, historicamente, o Brasil é um importador de trigo. Por causa disso, avalia Giovani Ferreira, o país também teve de elevar o grau de importação do cereal para suprir a demanda interna. Nesse sentido, observou que o primeiro semestre de 2022 contou com 3,5 milhões de toneladas importadas do produto.

“De 2018 a 2021, a importação de trigo pelo Brasil fica na casa das 6 milhões de toneladas”, evidenciou Ferreira. “Em 2022, até a metade do ano, já fizemos 3,5 milhões de toneladas. Isso mostra que a gente deve bater um recorde (olhando essa série) na importação de trigo, superando mais de 7 milhões de toneladas”, destacou. “A gente exportou muito trigo. Pode ser que a gente precise importar mais trigo para atender a demanda interna”, reforçou o diretor de conteúdo do Canal Rural.


Autor: Canal Rural

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