De acordo com a presidente do Conselho Regional de Medicina de Mato Grosso (CRM-MT), Hildenete Monteiro Fortes, se os números de Covid-19 continuarem aumentando de forma acelerada, vão faltar leitos e os profissionais serão obrigados a fazer a chamada ‘escolha de sofia’, que é decidir entre os pacientes, quem tem mais condições de ser tratado e se curar e os que tem menos chances e, consequentemente, vão morrer.

“Hoje não temos nenhuma denúncia a esse respeito de que esta escolha já tenha que ser feita. Entretanto, se os números continuarem aumentando assustadoramente e se a população não fizer a parte dela, certamente, os profissionais de saúde terão que adotar essa metodologia”, disse ela.

Ainda segundo a presidente, os hospitais particulares estão lotados e o Estado dispõe de apenas de 31 leitos. “Chegará um momento em que terá que ser feita a ‘escolha de Sofia’”, disse.

Na entrevista concedida ao Jornal do Meio Dia, da TV Vila Real, a médica rebateu as críticas do secretário municipal de Saúde, Luiz Antônio Possas de Carvalho, com relação aos apontamentos feitos pelo CRM ao fiscalizar o antigo pronto-socorro de Cuiabá, que foi referenciado para atendimento aos pacientes com Covid-19. “O secretário foi infeliz ao criticar o CRM, dizendo que estamos buscando pêlo em ovo. Na realidade, estamos fazendo o nosso papel, que é fiscalizar. Este ano, já visitamos mais 80 unidades hospitalares em todo o estado”, destacou.

Segundo ela, no antigo Pronto Socorro de Cuiabá, nos leitos disponíveis para pacientes com coronavírus, faltam respiradores, aspiradores, bomba de efusão, ventilador, sonda e recursos humanos. Diante do que foi identificado pelos médicos fiscais, o CRM encaminhou uma denúncia. “Fizemos um indicativo de interdição, não é uma interdição, é indicativo. Isso quer dizer que a gente pode interditar alguns leitos, onde faltam equipamentos para que os pacientes possam, realmente serem atendidos, ou fazer a interdição de todo pronto-socorro, especialmente da UTIs, se elas não estiverem em condições de atender. Obviamente que não faremos uma interdição total”, afirmou ela.

LOCKDOWN

Sobre a quarentena em várias cidades do Estado, Hildenete Monteiro explicou que o CRM não se posicionou quanto a essa questão. Entretanto, emitiu uma nota orientando com relação ao isolamento social e não abertura do comércio em algumas cidades. “Se não houve o isolamento, não teremos leitos suficientes. Claro que, existem municípios com baixo risco, que ainda não precisam ter o comércio fechado, mas é preciso que a população colabore e adote as medidas restritivas. Se a população não colaborar, nós teremos realmente que fazer a ‘escolha de Sofia’”.

Por fim, ela explicou que alguns pacientes com sintomas, mesmo que não precisam de UTI, precisam de leitos clínicos para receber o tratamento e assim, ter condições de superar a doença e se curar.

Autor: Folhamax

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