Página inicial do Facebook Encontros, nova ferramenta de relacionamentos da rede social. — Foto: Divulgação/Facebook

O Facebook anunciou nesta terça-feira (30) a chegada do serviço de relacionamentos online “Encontros” — que vai competir com o Tinder no Brasil. Ele funciona dentro do próprio aplicativo do Facebook e é só para maiores de 18 anos.

A plataforma foi anunciada oficialmente no ano passado, para um período inicial de testes na Colômbia. Depois foi expandida para Argentina, Canadá, Tailândia e México. Outros 13 países, além do Brasil, vão recebê-la agora. Nos Estados Unidos, será lançado ainda neste ano.

Envolvido em diversos problemas com vazamentos e uso de dados de usuários, o Facebook afirma que os amigos da pessoa que aderir ao “Encontros” não saberão que ela o fez. E que esses amigos também não vão aparecer nas sugestões de “date”.

“É um espaço separado. Qualquer coisa que aconteça no “Encontros” não será compartilhada no Facebook”, disse Charmaine Hung, diretora de produto responsável pelo serviço.

Embora o “Encontros” funcione dentro do próprio app do Facebook, apenas duas informações são trazidas da rede social e deixadas públicas: nome e idade.

Segundo a executiva, o controle de dados e privacidade são duas grandes prioridades da empresa atualmente. “Queremos ter certeza de que toda a informação presente aqui está sob os mesmos padrões de segurança”, afirmou.

Como funciona?

A ideia por trás do “Facebook Encontros”, segundo a diretora, é gerar relacionamentos mais duradouros e significativos. “Tentamos fazer uma plataforma de relacionamento focada nas pessoas por trás dos perfis, sem os joguinhos ou passadas (“swipe”, em inglês) que existem em outros aplicativos”, explicou.

Por isso, ele é diferente do Tinder e outros rivais: nada de viradas para esquerda ou direita, “superlikes” ou “matches”.

Veja os principais pontos:

Que dados aparecem? Só duas informações são importadas da rede social para quem entrar no “Encontros”: nome e idade, que é a informada no perfil no Facebook.

No mais, é possível configurar independentemente suas fotos, perguntas pessoais e informações adicionais em seu perfil do serviço. Até o gênero no “Encontros” pode ser diferente daquele apresentado em seu perfil do Facebook.

Segundo a empresa, o “Encontros” não faz nem o update automático da sua localização: é preciso marcar onde você está sempre que muda de cidade, por exemplo.

Sugestões de ‘date’. Embora não divulgue publicamente as informações dos usuários, ele utiliza a base que a rede social já tem para poder traçar perfis em comuns e sugerir “dates”. Há também uma integração com eventos e grupos de interesse do usuário. É possível filtrar os potenciais “dates” por algumas características, como gênero, religião e filhos, dentro de um raio de até 100 km.

Puxe uma conversa. O “Encontros” funciona de maneira mais parecida com uma mensagem enviada no Instagram. O usuário pode comentar uma foto ou um aspecto do perfil da outra pessoa e, se ela responder, os dois podem continuar conversando.

Mas a chance é única: se o papo não for bom, a oportunidade passou. “Essa é uma maneira que nós encontramos de impedir assédio”, disse Hung.

Não tem match, mas tem crush. Essa é uma novidade que o Facebook também apresentou nesta terça-feira e permite que o usuário marque um amigo do Facebook como “crush secreto”. Mas a pessoa só saberá que foi marcada se o “crush secreto” for recíproco. Cada usuário pode ter até 9 “crushes”.

Aparece para os amigos? Não, apesar da nova função de “crushes”, o Facebook garantiu que amigos não aparecem nas sugestões de “date”. Também é possível configurar a plataforma para que nenhum amigo de amigo seja mostrado.

Grupos e eventos. Se você sempre quis convidar alguém de um grupo pra sair ou queria dar “match” com aquela pessoa que viu num evento, o Facebook Encontros solucionou esse problema. A plataforma surge justamente para unir pessoas que tenham interesses em comum e por isso frequentam os mesmos grupos e vão nos mesmos eventos.

Questionada como o “Encontros” funcionaria em grupos de auxílio — para pessoas vítimas de abuso ou Alcoólicos Anônimos, por exemplo — a diretora Charmaine Hung afirmou que os administradores desses grupos não têm controle se as pessoas podem usar aquele grupo para conhecer alguém. “Essa é uma prerrogativa do usuário. Se ele não quiser ver alguém de um grupo assim, pode desligar o Encontros naquele grupo”, afirmou.

Como dizer ‘tchau’. É também possível dizer para a plataforma que você “não tem interesse” em alguém que ela sumirá da sua lista de indicados. Diferente de outros aplicativos do gênero, é preciso abrir o perfil da pessoa pra isso.

Localização ao vivo. Pensando na questão da segurança dos usuários, o “Encontros” permite o compartilhamento da localização ao vivo do usuário com um amigo ou familiar. Esse recurso é algo que muitas pessoas fazem fora das plataformas: avisam alguém que estão saindo com uma pessoa que conheceram na internet. Com essa função, o Facebook quer deixar esse cuidado mais fácil.

Vale lembrar que, apesar de o serviço já estar disponível no Brasil, o Facebook afirma que pode levar algum tempo até que a plataforma comece a apresentar as primeiras sugestões de encontro.

É de graça. Ao contrário dos concorrentes, o Facebook Encontros não tem custo, mesmo para funções que são pagas em outros apps, como ver de novo aquela pessoa interessante que você disse que não estava interessado.

Nova função, ‘crush secreto’, permite dar match com aquele amigo que sempre te interessou. — Foto: Divulgação/Facebook

Mercado do ‘dating’ online

A empresa anunciou a expansão do “Dating”, como é conhecido em inglês, durante a edição de 2019 do F8, a convenção de desenvolvedores da rede social.

“Nós temos informações robustas que as pessoas colocam em seus perfis no ‘Encontros’, além do que fazem no Facebook, que nos dizem interesses que podem ser semelhantes às de outras pessoas”, disse Charmaine.

Segundo a empresa, há também a intenção de integrar o “Encontros” com outros apps, como o Instagram.

Estrategicamente, são essas informações de interesses que geram valor ao Facebook e seus anunciantes.

Para a rede social, entrar nesse mercado é uma maneira de trazer valor para a plataforma, principalmente entre as pessoas mais novas — que, segundo analistas, não estão mais usando o Facebook como antes.

Segundo dados da consultoria eMarketer, o uso da rede social entre perfis com idade de 55 a 64 anos cresceu 4,9% no ano passado. Enquanto que o uso por pessoas entre 18 e 24 anos caiu 4,5%.

O Facebook também conta com uma base massiva de usuários: de acordo com o último balanço da empresa, foram mais de 2,7 bilhões de pessoas usando um dos aplicativos da empresa no primeiro trimestre deste ano. Além do Instagram, o Facebook também é dono do Whatsapp.

Essa base é o que permitirá que a empresa consiga entrar nesse mercado, que já é antigo e dominado por algumas empresas como o Match Group, que é dona de Tinder, Ok Cupid e Match.com, por exemplo.

De acordo com dados da Sentor Tower, uma empresa de inteligência de mercado voltada para aplicativos, o Tinder foi um dos apps mais rentáveis este ano, com faturamento estimado em US$ 262 milhões nas lojas de aplicativos.

No ano passado, o Match Group, dono do Tinder, divulgou faturamento de US$ 1,7 bilhão, acima dos US$ 1,3 bilhão de 2017. É de olho nessas cifras que o Facebook quer ser o serviço diferente do mercado de paqueras digitais.

Por G1

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here