Foto: Ilustração

Pelo menos mil hectares de algodão foram comprometidos pelo excesso de umidade no solo em Campo Verde, sudeste de Mato Grosso. O município recebeu chuvas volumosas nos últimos dias, com algumas algumas fazendas registrando mais de 120 milímetros acumulados desde a quinta-feira, 23. O excesso de água danificou áreas plantadas mais recentemente e também prejudicou lavouras recém-germinadas.

Diretor do Sindicato Rural, o agricultor Alexandre Lopes também é agrônomo e presta consultoria a outros produtores da região. Ele disse que a chuva “fez a água ‘correr’ nas áreas que já estavam com o solo encharcado, comprometendo os stands cultivados”. Além disso, explicou que com o tempo nublado e bastante úmido, muitas sementes em germinação ficaram em contato prolongado com o solo encharcado, o que aumenta os riscos de doenças e a perda das plantas mais novas. “Se a gente cultiva 90 mil plantas por hectare, problemas como estes reduzem o número para algo em torno de 80, 70 mil plantas…. e quando menos se espera, ainda cai para 55, 60 mil”, exemplifica.

A solução é semear novamente a mesma área, após a destruição química das plantas que já tinham nascido. Além do “re-trabalho” o custo pesa no bolso. Pelas contas de Lopes, só com a compra de sementes de alta tecnologia (que foram as utilizadas nas áreas atingidas) a despesa gira em torno de US$ 250 por hectare, o equivalente a R$ 1.054,00 no câmbio atual. Ou seja, apenas para replantar os mil hectares que já estão mapeados (há outras áreas ainda em análise no município), os agricultores terão que gastar mais de R$ 1 milhão.

Janela ameaçada

Outra preocupação dos cotonicultores mato-grossenses é com o atraso do plantio das lavouras. Os próximos dias serão decisivos para o futuro da cultura nesta safra. É que o calendário ideal para cultivar o algodão termina nesta semana. Quando a área é cultivada após o mês de janeiro, o potencial produtivo das plantas tende a cair, já que o risco de faltar chuva na fase final do ciclo é maior. “Lavouras semeadas na primeira semana de fevereiro podem perder de 5% a 8% do potencial produtivo. E quanto mais tarde é feito o plantio, maior tende a ser o impacto na produtividade”, contabiliza Alexandre Lopes.

No ano passado, os agricultores de Mato Grosso conseguiram plantar 90% das lavouras de algodão até o fim do mês de janeiro. Este ano há risco de que o percentual fique menor. Até a última sexta-feira, 24, apenas 56% das plantações estavam semeadas, de acordo com o Imea.

Fonte: Canal Rural

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