O conselheiro afastado do TCE, Waldir Teis, que já teve liberdade concedida pelo STF

Na decisão em que concedeu liberdade ao conselheiro afastado do Tribunal de Contas do Estado, Waldir Teis, o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Dias Tofolli, trouxe relatos do Ministério Público Federal (MPF) a respeito dos fatos que ocorreram no dia em que foram cumpridos mandados de busca e apreensão em seu escritório.

Naquele dia, Teis desceu correndo as escadarias do prédio e descartou cheques em uma lata de lixo, sendo flagrado por um policial federal que o seguia o tempo todo.

O documento descreve o comportamento do conselheiro durante a ação dos agentes da Polícia Federal. Segundo a decisão, Teis apresentava nervosismo e estava com as mãos trêmulas.

Dias após a ação, o conselheiro acabou preso por obstrução de Justiça no âmbito da Operação Ararath, que investigou um esquema de desvio de verbas pública, crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

Segundo o MPF, os agentes chegaram ao Centro Empresarial Maruanã por volta das 6h30 do dia 17 de junho. Como a porta estava trancada, foi necessário aguardar a chegada de um chaveiro.

O conselheiro, por sua vez, chegou ao local por volta das 7h30, quando foi informado pela PF sobre o cumprimento dos mandados. Naquele momento, foi lhe dito, ainda, que ele não poderia ficar no prédio. Na sequência, conforme o MPF, Teis deixou o local pelas escadas.

Posteriormente, já por volta das 8 horas, foi solicitada presença do conselheiro novamente no local para que ele abrisse uma gaveta de sua propriedade.

“Após, iniciou-se o cumprimento da medida, onde se encontravam todos os policiais. Na oportunidade, foram encontrados R$ 56.000,00 em espécie, guardado em envelopes”, cita o MPF.

Consta ainda na decisão que Teis aguardava o cumprimento das diligências em um sofá da recepção do escritório. Na sequência, conforme os agentes da PF, ele deixou de acompanhar os policiais e passou a adentrar no corredor do escritório onde ficam outras salas.

Quando os policiais notaram que Teis não estava em sua sala, o advertiram dizendo que se ele não acompanhasse as buscas devidamente, teria que ser revistado.

“Dado o seu nervosismo, com as mãos tremendo, [os agentes] chegam a perguntar se ele estava passando mal e, na oportunidade, ele diz que não, mas que tinha um compromisso, sendo-lhe autorizado sair do local da busca”, cita a decisão.

Foi neste momento que o conselheiro deixou o escritório correndo escada abaixo – conforme mostra vídeo divulgado na imprensa. A conduta foi classificada pelo MPF como “sorrateira”.

“Um agente da Polícia Federal considerou suspeito o comportamento e passou a seguir W.J.T. fora do escritório de advocacia, sem que ele o notasse. Neste momento o representado, que estava no 16º andar, desce correndo os 16 andares de escada em cerca de 3 minutos, para, de maneira sorrateira, destruir cheques assinados em branco e canhotos de cheques anteriormente recolhidos por ele, amassando-os e descartando-os na lixeira do prédio”, acrescenta o documento, que usa apenas as iniciais de Teis porque o processo está em segredo de justiça.

Apesar de o STF já ter concedido liberdade ao conselheiro, ele ainda encontra-se no Centro de Custódia da Capital, uma vez que o oficial de justiça ainda não notificou a direção da unidade sobre a soltura.

Mídia News

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