Nem todo mundo sabe, mas Mato Grosso é um dos grandes produtores de feijão no Brasil. Só na safra passada o estado colheu mais de 351 mil toneladas do grão, segundo a Conab, ficando atrás apenas do Paraná (587 mil ton), Minas Gerais (513 mil ton) e Goiás (367 mil ton). Esse volume leva em conta todos os tipos de feijão (preto, carioca e caupi).

Já quando o foco é apenas o feijão-caupi, o estado encabeça o ranking dos maiores produtores, com 237 mil toneladas produzidas no ciclo 2017/18. Na sequência aparecem o Ceará (115 mil ton) e a Bahia (100 mil ton). Sozinho, Mato Grosso é responsável por 30% do feijão-caupi colhido no Brasil.

O cultivo do caupi no estado é feito basicamente na segunda-safra, após a colheita da soja. Neste período, o grão enfrenta concorrência direta com outras culturas, especialmente o milho. Por isso, antes de definir a aposta no feijão os agricultores costumam avaliar bem o mercado. E nesta nova safra, por exemplo, a análise foi determinante para que o caupi perdesse espaço no Mato Grosso.

De acordo com a Conab, as lavouras devem encolher cerca de 20% na comparação com a “safrinha” do ano passado. A previsão é de que o feijão-caupi ocupe (neste segundo ciclo) algo em torno de 176 mil de hectares, contra os 220 mil da temporada 2017/18.

Entre os motivos para a queda está a insatisfação dos agricultores com o mercado. Na última safra a saca do grão foi negociada por valores entre R$ 35,00 e R$ 40,00. O preço foi considerado baixo pelos produtores, o que acabou desestimulando-os. É o que afirma Leandro Lodea, que cultiva feijão na região de Sorriso, médio-norte de Mato Grosso. Pelos cálculos dele (que também produz e comercializa sementes de feijão), a redução da área destinada ao feijão-caupi em todo estado deve ser ainda maior do que a estimada pela Conab. “Tem muito produtor que cortou pela metade a área plantada”, afirma, explicando que estes mesmos produtores acabaram apostando na produção de milho.

Com a diminuição da área plantada, Lodea – e os demais produtores – esperam uma reação dos preços. Diante da menor oferta, alguns compradores já começaram a se antecipar, segundo o agricultor. Já há contratos sendo fechados com preços em torno de R$ 65,00 a R$ 70,00 para entrega em junho, quando começa a colheita do grão.

Apesar da redução da área cultivada, Mato Grosso deve se manter como o principal produtor de feijão-caupi do país. A projeção da Conab, até agora, estima um volume em torno de 201 mil toneladas.

Fonte: Canal Rural

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