A senadora Selma Arruda (PSL) utilizou passagens aéreas do Senado para participar de eventos de filiação e outras atividades relacionadas ao partido. Aliada de primeira hora de Jair Bolsonaro (PSL), ela foi eleita com a maior votação do Estado declarando apoio a ele e utilizando o apelido de “Moro de Saias”, além do forte discurso “antimamata” bancada pelo erário e “anticorrupção” e desmandos públicos de qualquer espécie.

Conforme revela o site do Senado Federal, a vinda da senadora para os eventos de filiação no Estado, aqui no Hotel Fazenda Mato Grosso, e na Câmara Municipal de Sinop (distante 480 quilômetros de Cuiabá) foi bancada por dinheiro público. Foram pagos R$ 1.734 numa passagem para Sinop com escala no Aeroporto Internacional Marechal Rondon, ela veio de carro para Cuiabá, e outros R$ 618,04 na passagem de retorno a Brasília.

“Na última sexta-feira (16) participei do evento Sinop 3.0 na cidade de Sinop, Mato Grosso. O encontro teve o objetivo de mostrar as projeções para a cidade nos próximos 30 anos nas áreas de saúde, segurança, educação e desenvolvimento regional. Foi uma oportunidade excelente para pensar no futuro do munícipio! Obrigada por todo carinho, pessoal de Sinop!”, postou a senadora em suas mídias sociais no domingo (18), um dia depois do evento de filiação ocorrido na capital. O saldo, divulgado pela própria comunicação da legenda, foram 4 mil novos filiados angariados durante os atos de filiação.

Durante o fim de semana citado não havia nenhuma menção a qualquer evento oficial, mas é relacionada uma atividade partidária da senadora. No caso, ato do PSL Mulher regional. Às 20h, o encontro era com todo o diretório da legenda na capital. Essas passagens também foram relacionadas no site Transparência do Senado como bancadas com dinheiro público. Selma pagou com seus subsídios, mas pediu ressarcimento no dia 03 de junho de seus R$ 987,30.

O regimento interno do Senado só prevê fornecimento de passagens aéreas ou uso de carros oficiais ou ainda de auxílio combustível para eventos e missões oficiais em território nacional ou internacional. Não há nenhuma menção a viagens relacionadas a atividades partidárias.

Já no Facebook dela, há o post “alô pessoal de Sorriso e Sinop! Aguardo vocês HOJE no evento de filiação do PSL! Sorriso: Câmara Municipal de Vereadores, às 15h; Sinop: Câmara de Dirigentes Lojistas, às 17h”, além de um anúncio em formato de meme com os dizeres “hoje eu estarei em Sorriso e Sinop no evento de filiação do PSL”.

Um dia depois, já no sábado (17), há outro convite: “É hoje o grande dia! Aguardo você no grande evento de filiação do PSL em Cuiabá!!”. A esse evento em Cuiabá, aliás, há vários posts e foi realizada uma live na mesma mídia social durante o ato.

Matérias locais divulgaram o incremento de filiações femininas conseguido pela senadora, que teve a cassação confirmada pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE) no final de julho. A sentença havia sido proferida em abril, mas ela interpôs embargos. Agora, a confirmação ou não do veredito será dada pelo Tribunal Superior Eleitoral.

Caso os ministros também acolham a argumentação do Ministério Público Federal e deem provimento à decisão do TRE, novas eleições para a vaga no Senado serão convocadas, porque isso também consta no acórdão publicado na primeira instância. Selma teria cometido crimes eleitorais relacionados à utilização de caixa dois até o montante de R$ 2 milhões, início extemporâneo da campanha e abuso de poder econômico.

Mudança de partido

O mais curioso é que, menos de 15 dias após o evento de filiação do partido, circulam as informações de que a juíza aposentada vai deixar o PSL. A tendência é de que ela se filie ao Podemos, tendo, inclusive, recebido convite do presidente regional do partido, deputado federal José Medeiros.

Outro lado

Em resposta à Revista Época, que divulgou a mesma informação hoje, Selma Arruda afirmou que a viagem de fim de semana em que houve três atos de filiação do PSL “não se destinou exclusivamente aos atos de filiação do PSL, mas também a outros compromissos e reuniões de interesses parlamentares e políticos”.

Texto: Rodivaldo Ribeiro/Folhamax

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