Laudo pericial, assinado pela psiquiatra Luana Peres Frick, revela que o réu-confesso Lumar Costa da Silva, acusado de matar a arrancar o coração da tia Maria Zélia da Silva Cosmos, tem transtorno afetivo bipolar e, no dia do crime, “tinha prejuízo na capacidade de entendimento” e não “conseguia discernir realidade do delírio”.

Investigando o transtorno, peritos encontraram histórico na família. O tio paterno dele também é bipolar e um de seus três irmãos tem retardo mental. Lumar diz ainda que apanhou muito da mãe na infância e na adolescência. Ele relatou uma série de abusos e agressões.

O laudo psiquiátrico faz parte do processo criminal que Lumar responde em Sorriso (a 398 km de Cuiabá), onde ocorreu o homicídio, em julho de 2019. Diz ainda que o quadro de bipolaridade surgiu menos de um ano antes do crime, quando ele tinha 28 anos.

Preso em Sinop (a 500 km de Cuiabá), Lumar foi levado para Cuiabá para ser ouvido pela psiquiatra, no final de novembro do ano passado. Foram mais de 2 horas ouvindo o réu e sua história. No dia do depoimento, a psiquiatra relata que o nível de consciência estava preservado. Estava acompanhado pelo pai Gilmar Costa da Silva, que recebeu autorização da Justiça, para presenciar o depoimento.

Histórico familiar

No perfil traçado pela psiquiatra, Lumar é o mais velho de três filhos. Foi criado em ambiente hostil marcado por conflitos e brigas entre os pais. Aos 7 anos, seus pais se separaram e passou a ser criada pela mãe, em Campinas (SP).

Lumar declara que sofria agressões verbais e físicas todo dia por parte dela. “Gostava de me agredir no banho, batendo com minha cabeça na parede”. Conta também que já chegou a quebrar dois cabos de vassoura em seu corpo. “Eu sempre senti muita inveja das pessoas que tinham famílias saudáveis”, disse a médica.

Aos 15 anos, saiu da casa da mãe e foi morar com o pai, em Mato Grosso, com quem tinha uma boa relação. O pai disse que Lumar sempre “foi uma criança muito introspectiva, introvertida”. Mas a estadia com o progenitor durou pouco. Depois de seis meses, sua mãe veio buscá-lo.

Seu desempenho escolar era tido como bom. Não havia relatos de problemas de aprendizagem e comportamento. Também nunca reprovou. Aos 18 anos, largou os estudos para trabalhar em uma rede de fast-food. Só terminou os estudos aos 20 e, em seguida, fez curso técnico. Também aprendeu inglês, espanhol e japonês sozinho pelo computador.

Em abril de 2019, aos 28 anos, intensifica uso de maconha e LSD, após viagem de oito dias para Sorriso. Poucos meses depois, brigou com a mãe e voltou para Mato Grosso. Foi acolhida pela tia Maria Zélia, que lhe recebeu com muito afeto, aponta laudo. Era conhecido que ela não aceitava o fato de o sobrinho ser usuário de drogas.

Os sintomas de bipolaridade, no entanto, se agravaram. Dias antes de voltar para Sorriso, Lumar relatou sinais de aumento de energia, insônia, alucinações, delírios, alteração de humor, libido alta e pensamento acelerado. Para a psiquiatra, Lumar conta que tinha medo de ficar na casa tia, pois acreditava que as pessoas queriam lhe roubar as roupas e que haviam câmeras na casa lhe vigiando.

Após desentendimentos com a tia, Lumar foi morar em uma quitinete ainda em Sorriso. Alguns dias depois voltou para a casa da tia. O réu disse que ia pegar uma máquina de cartão e pedir desculpas. Maria Zélia entrou para cozinha e pegou uma faca. Entraram em luta corporal e, segundo versão apresentada pelo réu, disse que os dois caíram, a faca já no pescoço da tia.

O crime

Após esfaquear a tia, Lumar começou abrir o tórax da tia Maria Zélia Cosmos ainda viva. Abriu o tórax e arrancou o coração. Depois, foi a casa da prima, filha da vítima, para levar o órgão arrancado. Fugiu em um carro preto.

Pouco tempo após, Polícia Militar recebe informações de que um homem invadiu a subestação da Energisa, ainda em Sorriso. Lumar aremessou o veículo contra um dos transformadores e tentava colocar fogo no carro. Quando os militares chegarem ao local para efetuar prisão, o réu estava transtornado.

Por Allan Pereira – RD News

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