Prefeitos e secretários municipais de Saúde correram, nas últimas semanas, para montar um conjunto de remédios no combate ao coronavírus – o famoso e polêmico Kit Covid. A reportagem identificou que, entre 91 municípios líderes no registros de infectados com o vírus, 33 prefeituras fazem a distribuição gratuita de um grupo de medicamentos ou, pelo menos, orientam uma lista. Muitos deles defendem o tratamento precoce para evitar a forma grave da doença.

A azitromicina e a ivermectina são unânimes na lista. A primeira é um antibiótico usado para combater infecções causadas por bactérias no aparelho respiratório, inclusive bronquite, pneumonia, sinusite e faringite. O segundo é usado para combater vermes ou parasitas, como piolho, sarna e lombriga, segundo bula da Agência Nacional da Vigilância Sanitária, a Anvisa.

A cloroquina, embora não seja unânime, está presente na maioria dos kits ou listas das prefeituras. Defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido), o remédio é usado para pacientes com lupús, malária ou problemas reumatológicos. Mas, para o coronavírus, ele não é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS), após pacientes morrerem por problemas cardíacos em pesquisas científicas sobre seu uso no combate à Covid-19.

Outros medicamentos incluem dipirona e paracetamol (ambos para dor e febre), prednisona (usada para várias casos, entre elas, as doenças respiratórias) e vitaminas.

O ginecologista e obstreta Gilberto Rodrigues Pinto defende o tratamento precoce da Covid-19. “Já tem dezenas de trabalhos mostrando que ele é efetivo. E, na prática clínica, os pacientes demonstram uma melhora acentuada quando usam os remédios. Depois de de 24 a 72 horas, eles relatam que o remédio foi muito benéfico e os sintomas desapareceram”, disse. Cita ainda que as medicações podem diminuir as internações de pacientes graves em UTI.

“O tratamento médico deve ser particularizado, jamais ser na medida de um protocolo que cria um kit a ser distribuído para todos sintomáticos (pois podem estar com a Covid-19 ou outra doença qualquer) e, muito menos, para pessoas que não têm sintomas, como uma forma de se prevenir da doença. Esses medicamentos não previnem”, disse em entrevista na última semana.

O governador Mauro Mendes (DEM) defendeu que a população deve procurar atendimento médico assim que apresentar os primeiros sintomas. “Aquela recomendação de ficar em casa e tomar dipirona, lá do início, eu peço, pelo amor de Deus, que não façam isso. Procure um médico, tome os medicamentos no início que está salvando milhares de vidas”, disse em entrevista na semana passada.

As prefeituras que distribuem algum kit são Cuiabá, Sorriso, Lucas do Rio Verde, Primavera do Leste, Sinop, Nova Mutum, Campo Verde, Colíder, Barra do Garças, Campo Novo do Parecis, Pedra Preta, Rosário Oeste, Vila Bela da Santíssima Trindade, Poxoréu, Poconé, Água Boa, Vila Rica, Chapada dos Guimarães, Cláudia, Diamantino, Nova Santa Helena, Gaúcha do Norte, Jangada, Alto Garças, Nova Ubiratã, Canarana, Barra do Bugres, Alto Araguaia, Juara, São José do Quatro Marcos, Paranatinga, São Felix do Araguaia e Santo Antônio do Leverger.

Em Sorriso a Secretaria Municipal de Saúde informou que, em apenas uma semana, foram distribuídos cerca de 1.200 kits, que contam originalmente com Invermectina, Azitromicina e Hidroxicloroquina. O secretário Luis Fabio Marchioro lembra que estes medicamentos já eram fornecidos desde o início da pandemia, com exceção da hidroxicloroquina, que só começou a ser entregue após as farmácias de manipulação da cidade começarem a fornecer para a prefeitura. Para facilitar o acesso dos pacientes a secretaria criou um ponto de entrega do “kit” dentro do Hospital de Campanha, pois quando o paciente sai da consulta com o medico, já retira os medicamentos, sem a necessidade de se deslocar ate a farmácia pública.

Autor: Da Redação com RD News

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