Participação do engenheiro agrônomo no modelo de negócios tem transformado cadeias produtivas em potências mais verdes e geradoras de empregos.

Se Mato Grosso e suas cooperativas fossem um país, estariam entre os dez maiores produtores de soja em grão, milho e pluma de algodão do mundo. Esse é apenas um dos dados que demonstram a força do cooperativismo brasileiro. Para entender melhor esse universo, o sétimo episódio da segunda temporada do Agronomia Sustentável visitou três estados com tradição nesse modelo de negócios e mostrou os benefícios para os agricultores que se unem para fazer transações cada vez mais vultuosas.

Ainda que esse sistema também esteja presente nos setores de consumo, crédito, infraestrutura, saúde, transporte e no segmento de produção de bens e serviços, é no agro que o cooperativismo se sobressai. . Ao todo, são 1.173 cooperativas, atingindo mais de um milhão de cooperados.

E a força desse modelo está diretamente ligada à agronomia. No Paraná, por exemplo, a equipe do programa foi conhecer a história do engenheiro agrônomo Carlos Alberto Konig, que trabalha como gerente de Departamento Técnico na C.ale, uma das principais cooperativas do estado. “A agronomia foi muito importante para o cooperativismo. Ela se desenvolveu boa parte em termos de produtividade, de verticalização, e isso faz com que a cooperativa tenha se fortalecido muito com a assistência técnica, com a consultoria agronômica, aumentando a produtividade do produtor e aumentando a fidelização por parte dos nossos associados”, define.

A comercialização de insumos e a agroindústria são destaques na cooperativa, que avançou no processo de abatedouro de peixes, gerando renda e emprego para a sociedade. Atualmente, a empresa conta com mais de 200 engenheiros agrônomos que se dividem entre cinco estados brasileiros, além do Paraguai.

Em 2020, de acordo com o Sistema Ocepar, que reúne as principais cooperativas do Paraná, o faturamento do segmento atingiu 115,5 bilhões, um aumento de 31,6% em relação ao ano de 2019. O número é maior do que o orçamento público previsto para 2021 de todo o estado. A empregabilidade de serviço direto, outro fator pujante, cresceu 9,6%. No estado, 65% da produção agrícola passa pelo sistema de cooperativismo.

“O profissional agrônomo leva a informação dos produtores, então, ele faz a ponte entre a pesquisa, as empresas e o produtor, levando conhecimento, agregando qualidade, produtividade e rentabilidade dentro da cadeia”, acrescenta Konig.

Intercooperação

Em outro recorte da série, a importância da intercooperação, que une as cooperativas com os mesmos interesses, foi destacada. “Nós temos um grande desafio que é de mantermos a união entre as cooperativas, de unirmos as forças cooperativistas para que consigamos conquistar cada vez mais o mercado, gerando uma economia que é retornável ao grupo de pessoas e de associados, com causas e propósitos comuns, que estão hoje vinculados às cooperativas”, relata o engenheiro agrônomo de outra gigante do segmento, a Cooperalfa, Alexandre Barros.

Sobre as vantagens de atuar nesse modelo de negócios, o superintendente da OCB-MT, Frederico Azevedo, destaca as agregações pelo ganho de escala. “Algumas cooperativas aqui do estado negociam áreas de 180 mil a 200 mil hectares. O peso de uma negociação dessas para o fornecedor é importante pelo volume de produto que está se adquirindo”, conta.

Segundo ele, outra questão que conta a favor é a solidez dos agricultores que estão vinculados a uma determinada cooperativa. “São produtores que têm bom histórico de pagamento e negociação e que estão buscando cada vez mais se tecnificar tanto agronomicamente quanto economicamente[…]. Isso gera credibilidade para o mercado”, explica. “Também temos observado iniciativas de venda em bloco, em volume maior. Temos realidades distintas dependendo do estado em que a cooperativa está situada, mas, de forma geral, todos estão sendo bem sucedidos […]”, afirma.

O estado conta com 58 sedes de cooperativas agrícolas e 88 filiais localizadas em 46 municípios, especialmente ao norte do estado, gerando mais de três mil empregos diretos. De acordo com Azevedo, Mato Grosso só atingiu o posto de maior produtor de grãos do Brasil graças ao cooperativismo. “Dados do Imea em parceria com o sistema OCB-MT apontam que 45% da produção do estado passa por dentro das cooperativas. Quando falamos do algodão, o número é muito mais exponencial, chegando a quase 95%”.

Reguladora de preços

A Cooperativa Mista de Desenvolvimento do Agronegócio do Estado de Mato Grosso (Condeagro), braço comercial do Instituto Mato-Grossense do Algodão (IMA), atua na venda de sementes da fibra. “De certa maneira, conseguimos atuar como uma espécie de regulador de preço dos insumos que são vendidos pelo produtor. Parte do recurso que conseguimos arrecadar ajuda em pesquisa, cujo objetivo é reduzir a carga de químicos juntando melhoramento genético, variedades cada vez mais resistentes junto com insumos biológicos. Temos convicção de que essa é realmente a maneira de reduzir o uso de agroquímicos e melhorar a segurança de todos os profissionais que trabalham na cadeia do algodão”, considera o diretor executivo da cooperativa, Alvaro Salles.

Segundo ele, os produtores da cultura tinham tratores muito velhos para carregar e distribuir calcário. “Fomos até à China, onde buscamos um fornecedor confiável e trouxemos mais de 500 máquinas para o Brasil. Então hoje, praticamente quase todo cotonicultor, em vez daquele CBT velho que causava muito problema tem, hoje, uma carregadeira”, diz.

Tradição estadual no cooperativismo

Outro estado que se destaca no cooperativismo é Santa Catarina. A receita operacional bruta no estado é de 49,8 bilhões de reais e em 2020, as cooperativas de todos os ramos deram uma importante contribuição ao crescimento catarinense, com alta de 23,3%, o maior das últimas décadas. Com isso, o agronegócio foi, mais uma vez, a locomotiva na geração de empregos, renda e na produção de riquezas.

Por lá, o número de cooperados teve incremento de 11,6% no ano passado, com ingresso de 313 mil pessoas. No conjunto, as cooperativas locais reúnem mais de três milhões de catarinenses, o que significa que mais da metade dos habitantes do estado estão vinculados a esse sistema que não para de expandir.

A Cooperalfa é uma dessas cooperativas que auxiliam no crescimento do estado. “Hoje a Cooperalfa possui 21 mil famílias associadase em 2020 ela teve um rendimento 39% acima do registrado em 2019. Nesse ramo agropecuário, as principais atividades desempenhadas não apenas em Santa Catarina, mas também em outros estados, são a produção de proteína animal e a venda de insumos para a produção de grãos”, diz o engenheiro agrônomo da Cooperalfa.

Da Assessoria

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