O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reabrirá nesta sexta-feira, 13, o sistema para protocolos de novos pedidos de financiamento para o Moderfrota, principal programa de estímulo à aquisição de máquinas e implementos agrícolas do país.

O valor disponível será de R$ 740 milhões, conforme anteciparam o chefe do Departamento de Clientes e Relacionamento Institucional do BNDES, Tiago Peroba, e o chefe do Departamento de Canais de Distribuição e Parcerias do banco, Caio Araújo. O montante representa 14% dos R$ 6,2 bilhões alocados para o Moderfrota na safra 2020/2021.

O banco enviou na quarta-feira, 11, às instituições financeiras que operam a linha um comunicado informando sobre a reabertura do sistema, para que novos pedidos de crédito sejam protocolados a partir de sexta, segundo Araújo. “Isso é feito para dar tempo de a informação ser disseminada entre os diversos players e permitir que os bancos se preparem internamente”, explicou. O BNDES havia bloqueado novos pedidos de empréstimos ao programa no dia 30 de outubro.

Araújo informou também que o banco está preparando a reabertura do sistema para novos pedidos de crédito para o Pronaf Tratores e Colheitadeiras, linha focada em agricultores familiares. A previsão é de que as contratações sejam retomadas na semana que vem.

As demais linhas que tiveram pedidos de financiamento suspensos ao longo do último mês pelo BNDES – Inovagro, Moderagro, Pronamp Investimento e dos programas ABC e PCA – devem ser reabertas ainda em 2020, de uma só vez, conforme Araújo.

Quanto à possibilidade de reforço dos programas com dinheiro adicional para o momento em que os recursos se esgotarem definitivamente, ambos os chefes de departamento relataram que todas as linhas de investimentos estão “muito demandadas”. “Não vejo, dentro do BNDES, espaço para remanejamento de recursos (de uma linha eventualmente menos procurada para outra mais demandada)”, disse Araújo.

Crédito rural

Além de reabrir gradualmente seu sistema para novos pedidos de financiamento a linhas de investimento ligadas ao Plano Safra 2020/2021, o BNDES deve em breve suplementar seu Programa BNDES Crédito Rural, criado no início deste ano e que oferece recursos com taxas de juros sem equalização do governo federal. De R$ 1,5 bilhão alocados para o ano de 2020, já foram aprovados pedidos que somam R$ 1,2 bilhão, afirmou Caio Araújo. Como o volume aprovado mensalmente tem girado em torno de R$ 200 milhões, a previsão é de que os R$ 300 milhões restantes sejam consumidos rapidamente.

“Até o fim de novembro ou começo de dezembro deveremos ter uma definição sobre essa suplementação. Estamos trabalhando com um valor que dure até o fim de 2021 (ano civil), para ser uma válvula de escape em relação às linhas do Plano Safra”, explicou Araújo.

A negociação, neste caso, é mais simples do que quando se trata de linhas do Plano Safra, explica Tiago Peroba. “É uma decisão exclusivamente do banco, bem diferente do contexto dos programas agropecuários do governo federal, que envolvem ministérios”, argumentou.

Peroba observou que a demanda média de R$ 200 milhões por mês deve aumentar quando os recursos das linhas oficiais de investimento do Plano Safra, que estão no fim, se esgotarem. “Aí não serão só R$ 200 milhões por mês, até porque para o produtor, na parcela, a diferença de taxa de juros é insignificante”, disse.

Segundo Peroba, enquanto o Moderfrota tem taxa de juro mensal de 0,6%, o BNDES Crédito Rural opera com taxa de 0,75% ao mês. O BNDES vai acompanhar a demanda pelos recursos de seu programa próprio junto às instituições financeiras ao longo do ano que vem, a fim de avaliar a necessidade de novas suplementações, de acordo com Peroba. “Não nos preocupa conseguirmos um orçamento adicional para o BNDES Crédito Rural agora e daqui três ou quatro meses pedir um pouco mais”, afirmou.

Autor: Estadão

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