A missão parte de uma base militar erguida em meio à Floresta Amazônica no sul do Pará. Trata-se de uma verdadeira operação de guerra, planejada há um mês. Ela envolve quatro helicópteros, trinta homens armados e pilotos da Força Aérea Brasileira. Assim que as aeronaves se aproximam do destino, vê-se do alto uma sequência de centenas de garimpos. São quilômetros e quilômetros de rios contaminados, recortados e revirados por maquinário pesado para a retirada de ouro — a principal atividade econômica da população local. “Se a gente parasse para fiscalizar um por um, demoraria meses”, comenta o ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, que integrava a equipe. Todo o aparato mobilizado na manhã de quarta-feira passada, 5, tinha como objetivo flagrar uma grande atividade ilegal de extração na terra indígena Munduruku, no oeste do Pará.

Acompanhada pela reportagem de VEJA, a missão ajuda a entender a dificuldade do combate diante da proporção que o problema atingiu na região. Para demarcar quem é quem dentro de uma área com tamanha quantidade de garimpos, os donos de cada lote pintam seus nomes em árvores. Os acampamentos contam até com sistema de wi-fi no meio da floresta. Quando aparecem os helicópteros do Ibama no horizonte, centenas de garimpeiros batem em retirada e já avisam por celular os colegas dos campos vizinhos (parecem camelôs de rua com a chegada da guarda municipal). Eles correm para esconder as retroescavadeiras, as bombas de água e os tratores na mata. “A operação é um pesadelo tático, não há visibilidade e o risco é constante”, explica Roberto Cabral, coordenador do grupo de fiscalização do Ibama. O saldo final, no entanto, é satisfatório — mais de 25 retroescavadeiras, tratores e bombas destruídos e incendiados e a apreensão de cadernos com planilhas, dois celulares, uma espingarda e oito tanques de combustível. Um prejuízo avaliado em 10 milhões de reais. Trata-se de um prejuízo expressivo para os criminosos, mas que pode ser facilmente compensado pela retirada de 700 quilos de ouro por mês na área (o equivalente a cerca de 250 milhões de reais), segundo cálculos do Ministério do Meio Ambiente.

Fonte: Veja

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