Vídeos de uma brincadeira aparentemente inocente ‘viralizaram’ nas redes sociais nos últimos dias. Neles, duas pessoas pulam e depois uma, no meio, pula também. Neste momento, as que estão do lado lhe dão uma rasteira, e a do meio cai no chão. O que parece somente um desafio ‘bobo’, no entanto, pode causar sérios riscos e até a morte, e levantou um alerta de escolas e até mesmo da Sociedade Brasileira de Neurocirurgia.

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📍COMUNICADO DE UTILIDADE PÚBLICA ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Prezados (as) senhores (as), ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ A Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) vem, por meio deste, alertar aos #pais e #educadores sobre a necessidade de reforçar a atenção com crianças e adolescentes, diante do #desafio “quebra-crânio”, que se alastra pelo ambiente doméstico, escolar e é reproduzido nas redes sociais. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Ele provoca uma queda brutal, onde um dos participantes bate a cabeça diretamente no chão, antes que possa estender os braços para se defender. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Esta queda pode provocar lesões irreversíveis ao crânio e encéfalo (Traumatismo Cranioencefálico – TCE), além de danos à coluna vertebral. Como resultado, a vítima pode ter seu desempenho cognitivo afetado, fraturar diversas vértebras, ter prejuízo aos movimentos do corpo e, em casos mais graves, ir a óbito. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ O que parece ser uma brincadeira inofensiva, é gravíssimo e pode terminar em óbito. Os responsáveis pela “brincadeira” de mau gosto podem responder penalmente por lesão corporal grave e até mesmo homicídio culposo. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Deste modo, como sociedade, pais, filhos e amigos, devemos agir para interromper o movimento e prevenir a ocorrência de novas vítimas. Acompanhar e informar/educar sobre a gravidade dos fatos, pode ser a primeira linha de ação. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Sem mais para o momento, subscrevemo-nos. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ Diretoria Sociedade Brasileira de Neurocirurgia (SBN) ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ⭕ Todos os direitos reservados à SBN, 1957 – 2019. ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ 📭 Secretaria permanente: Rua Abílio Soares, 233 – CJ.143. Paraíso. CEP 04005-001- São Paulo/SP⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ ☎ Tel.: (11) 3051-6075 📨e-mail: [email protected] ✔Resp. Téc.: Dr. Paulo Honda CRM-SP 52362 – RQE: 38511 ⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀⠀ #sbn #neurocirurgia #neurocirurgiaBR #desafiodarasteira #brincadeiradarasteira #alerta #quebracranio

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Chamada de ‘desafio da rasteira’, a brincadeira tem um perigo ‘inerente’. É o que diz o neurocirurgião de Cuiabá, Dr. Adailton A. dos Santos Jr. “É uma brincadeira que realmente gera o risco de um trauma mais intenso, porque a queda que produz é uma queda que a gente chama de ‘sem defesa’, porque primeiro a pessoa não espera essa queda, e segundo, ela não se defende da queda com os braços”, explica.

Adailton é formado pela Universidade Federal de Campina Grande, tem residência médica em Neurocirurgia pelo Hospital Beneficência Portuguesa de São Paulo e título de Especialista em Neurocirurgia pela Associação Médica Brasileira (AMB). Atualmente ele é professor da faculdade de medicina da Univag.

Segundo ele, os riscos são diversos. “Vimos em alguns casos que essas pancadas podem ter riscos de dilaceração, ou fraturas em coluna. Associado a isso, também tem um risco de trauma crânio-encefálico, que a gente chama TCE na neurocirurgia, e que pode realmente trazer maiores prejuízos. (…) É uma pancada forte, que pode trazer desde pequenas alterações como somente um desmaio, uma dor de cabeça, até alterações significativas, passando por fraturas de crânio, por hemorragias, hematomas, machucado no cérebro e podendo evoluir até a sequelas graves e podendo até chegar ao óbito quando alguma estrutura mais importante é afetada. Essa brincadeira traz um risco implícito e inerente a ela, de grande possibilidade de lesões traumáticas da cabeça”.

O neurocirurgião explica que, neste caso, não há nenhuma forma segura de fazer este desafio. Nem mesmo um capacete é indicado. “A gente repudia essas brincadeiras ou coisas que tragam riscos à realização dessa tarefa, e sempre enfatiza a prevenção. E a prevenção dessa brincadeira é não realizá-la”, declara.

Veja os vídeos que estão circulando na internet:

Brincadeira fatal

Uma garota morreu, em novembro de 2019, em decorrência da ‘brincadeira da rasteira’, em Mossoró, Rio Grande do Norte. Ela teve traumatismo craniano, e o caso veio à tona na mídia nesta semana, junto com a popularização dos vídeos do desafio. Emanuela Medeiros tinha 16 anos.

Por Olhar Direto


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