As aulas da Escola Estadual João Pissinati Guerra, em Sinop , foram suspensas nesta quinta-feira (28), após uma mulher de 33 anos, que é ex-aluna da unidade, tentar entrar com um facão no local e ameaçar os estudantes.

O caso ocorreu na manhã da última terça-feira (26). De acordo com a diretora da unidade, Micaele Carvalho, a suspensão das atividades é por tempo indeterminado.

À imprensa, Micaele contou que a mulher mora em frente à escola e, supostamente, possui esquizofrenia.

A suspeita teria entrado em um “surto psicótico” quando percebeu que tijolos haviam sumido da residência dela por volta das 10h daquele dia.

“Estavam construindo um muro na casa dela. Uma equipe voluntária trouxe os tijolos e construiu o muro. Os tijolos que sobraram eles levam embora”, explicou.

Segundo a diretora, a ação faz parte de um projeto do município, que constrói casas e muros para pessoas carentes. Os materiais que sobram, porém, são recolhidos.

Conforme Micaela, a mulher teria achado que alunos da escola haviam furtado os tijolos. Assim que percebeu o sumiço dos materiais, a suspeita entrou na casa dela e saiu com um facão na mão para ameaçar os estudantes da unidade.

“Ela viu três crianças em frente ao portão menor da escola e começou a surtar, dizendo que elas tinham levado o material embora. Pegou o facão e foi de encontro às crianças”, lembrou.

Os menores conseguiram fugir da mulher, que continuou insistindo para entrar na escola.

“Nossa funcionária, que cuidava do portão, viu quando a mulher chegou. Como o cadeado estava travado, ela [a zeladora da escola] não conseguiu trancar o portão e ficou segurando com as mãos e os pés para que a mulher não entrasse”, explicou.

A diretora contou que a suspeita tentou esfaquear a funcionária da escola por diversas vezes através de um buraco no portão.

“Ela dizia que mataria a funcionárias e as crianças. Ela gritava dizendo que queria matar. Um professor tentou falar com ela, chegou a dizer que conversaria com os alunos para ela se acalmar”, lembrou.

De acordo com a diretora, a mulher chegou a dizer que “acharia uma arma para matar todo mundo” e afirmava  que faria “igual fizeram em Suzano (SP)”, fazendo referência ao massacre que aconteceu na Escola Estadual Professor Raul Brasil, em Suzano.

Na ocasião, assassinos de 17 e 25 anos entraram no local, mataram sete pessoas e se mataram em seguida.

Surtos recorrentes 

A suspeita fugiu do local em uma bicicleta, mas voltou a ser vista pelos funcionários da escola durante uma assembleia, realizada no local na noite de quinta-feira (28). De acordo com a diretora, a mulher ouvia a reunião por trás de um portão.

“Ontem à noite, durante a assembleia, ela [a suspeita] estava no portão escutando tudo. Ela é bem instruída e inteligente. Surta, mas sabe de tudo que faz”, disse a diretora.

Micaela contou que a polícia demorou cerca de 40 minutos para chegar ao local. Um Boletim de Ocorrência foi registrado na delegacia do município. Porém, a diretora foi informada de que a prisão da suspeita só poderia acontecer em flagrante.

“A polícia fala que só pode pegar em flagrante. Mas ela [a suspeita] estava ciente de tudo, dizia para chamarmos a polícia mesmo, mas que eles não poderiam prendê-la devido ao laudo psiquiátrico. Ela sabe os direitos que tem”, explicou.

Ainda de acordo com a diretora da escola, há dez anos a mesma mulher entrou com um facão na unidade e chegou a correr atrás de alunos, sendo impedida por um professor.

“Ela surta de vez em quando, fica nua na frente da escola e conversa sozinha. As crianças acabam ficando curiosas, algumas dão risada por não entender a situação. Isso faz com que ela entre em surto”, contou.

Conforme Micaela, o medo tomou conta dos funcionários, pais e alunos da escola estadual. A diretora contou que a mulher mistura medicamentos psiquiátricos com bebida alcoólica. 

“Todo mundo está com muito medo. Ela [suspeita] sabe que pode fazer qualquer coisa, porque nada acontecerá. Então, ela não tem nada a perder”, disse a diretora.

Boletim de ocorrência

A reportagem entrou em contato com a assessoria da Polícia Civil, que informou que o registro da ocorrência não pode ser encontrado porque as equipes policiais do município estavam em trabalhos externos. 

Fonte: Midia News

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